sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Vista Aérea de Omar


Em direcção ao posto 34...


Na madrugada seguinte, partimos em coluna pela "picada" em direcção ao posto de água número 34. Nesse percurso tivemos um impervisto, uma mina anti-carro minou uma das viaturas que se encontrava carregada de garrafões de aguardente e sacos de farinha.
Chegados ao posto 34 a coluna foi dividida em duas, uma seguiu para Mocimboa do Rovuma e a outra onde estava incluído seguiu para Omar.
Derivado ser época das chuvas, tivemos alguns dias de percorrer apenas 5oo metros de percurso. Para fazer 40 kilometros, demorámos 7 dias!!!!

Mueda

Ao sair do avião em Mueda, esperava-nos um grande número de militares, ali estacionados, que nos deram uma grande vaia de "checas".

Partida de Lisboa

No dia 24 de Janeiro de 1971, embarquei no cais de Alcântara a bordo no navio Niassa, com destino a Moçambique. Comigo embarcaram 1500 militares rumo a um futuro incerto.
Depois de 14 dias no mar, alguns enjoos e com tubarões por companhia, cheguei a Luanda, no dia 5 de Fevereiro.
O cais de Luanda foi o palco de um reencontro com um amigo de longa data, João Manuel. A noite passámos a matar saudades de casa e a comer um belo churrasco e cervejas bem frescas.
No dia seguinte voltei a embarcar para seguir viagem até Lourenço Marques. Guardo na memória a imagem da costa de África do Sul, com cidades luminosas e frenéticas.
A chegada a Lourenço Marques, foi memorável! Uma fanfarra militar esperava-nos no cais e ainda me recordo dos acordes de alguns instrumentos... Depois do desembarque, fomos conhecer a cidade e dar uma volta de "machimbombo".
No dia seguinte é que "foram elas"!!!! Foi talvez o primeiro momento em que tomei consciência que não se tratava de uma viagem de lazer, mas sim de uma guerra dura e cruel. Fui levantar o armamento e o comandante do grupo, o Alferes Dias informou-nos que o nosso destino seria Omar, antigo quartel geral dos "turras".
Nesse mesmo dia, continuamos a nossa viagem a bordo do Niassa, com destino ao norte do país, Porto Amélia, fazendo escala em Nacala. Aí desembarcaram alguns militares com destino à cidade de Nampula.
Cheguei a Porto Amélia por volta das 7h00 da manhã, onde nos aguardavam algumas viaturas civis, com taipais muito altos que mais pareciam para transportar gado, que nos levaram até ao aeroporto da cidade, onde nos esperava o Nord-Atlas que nos transportaria até Mueda.
Foi o início da aventura...